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A afirmação de que existe um viés, uma deformação, um preconceito esquerdista dominante na grande mídia nacional -- principalmente nas páginas noticiosas e nos suplementos culturais, mas também nas páginas de diversões, nas novelas de TV, em talk shows e, enfim, em toda parte -- não é simplesmente uma opinião. É a expressão fiel de um fato empiricamente constatável, que até hoje só não foi investigado e discutido livremente porque as entidades incumbidas de investigá-lo e discutí-lo -- faculdades de jornalismo, sindicatos da classe e sites tipo press watch -- estão igualmente a serviço da hegemonia esquerdista, que lhes interessa, por um lado, fomentar, e, por outro lado, ocultar enquanto não chegar a hora de revelá-la à plena luz do dia em todo o esplendor da sua feiúra totalitária. Quando essa hora chegar, será tarde para protestar.

É vital para a subsistência da democracia neste país que a ditadura informal implantada na mídia para o controle das consciências seja denunciada, desmascarada e desmontada enquanto ainda lhe falta a coragem de afirmar-se como realidade de fato e de direito, como aconteceu em Portugal e no Chile, quando comissões autonomeadas se apossaram das empresas jornalísticas, demitindo e calando os profissionais considerados inconvenientes. De maneira discreta e sorrateira, mas nem por isso menos imoral e criminosa, esses profissionais já se vêem hoje acossados por ameaças, por boicotes, por difamações, por toda sorte de impedimentos ao exercício da liberdade de opinião.

Mas não se pense que esses casos condensam em si o panorama da mentira esquerdista imposta ao público como verdade única e incontestável.

Eles representam a ponta de um iceberg cujo corpo, construído pelas contribuições de mil e um agentes de influência, laboriosamente, silenciosamente, maquiavelicamente, desde a década de 60, se constitui basicamente de:

1. Supressão sistemática do noticiário sobre atrocidades cometidas pelos regimes comunistas na China, no Vietnã, na Coréia do Norte e em Cuba -- e, em contrapartida, divulgação espalhafatosa de fatos análogos, de escala incomparavelmente menor, ocorridos em regimes de direita.

2. Completa abstinência de investigações sobre a ligação entre partidos de esquerda e organizações criminosas, mesmo quando essa ligação é admitida por agentes criminosos presos como aconteceu com os seqüestradores de Abílio Diniz e Washington Olivetto e mesmo quando ela está sacramentada em documentos públicos como os sucessivos pactos entre o PT e as Farc assinados no Foro de São Paulo de 1991 a 2001.

3. Investigações obsessivamente repetidas de violências -- reais ou supostas -- cometidas pelo regime militar e, em contrapartida, total silêncio quanto aos crimes cometidos pelos comunistas na mesma época.

4. Glamurização desmesurada dos ídolos intelectuais e artísticos da esquerda e, em contrapartida, total silêncio, quando não noticiário com ênfase difamatória contra intelectuais e artistas tidos como conservadores e direitistas -- as duas linhas convergindo para incutir como certeza absoluta, na mente do público, a identificação idiota de esquerdismo com inteligência e a cultura.

Essas deformações, consolidadas pelo hábito ao longo de três décadas, já são hoje aceitas como procedimentos normais, de modo que aqueles mesmos que as impõem ao jornalismo podem, ao mesmo tempo, negar a existência delas, sem às vezes nem mesmo perceber que estão mentindo. É que a mentira repetida se tornou verdade.

Como leitores, como brasileiros, como intelectuais e como líderes empresariais e comunitários, não podemos mais nos calar diante de situação tão alarmante, que anuncia para breve a total supressão das vozes divergentes na mídia brasileira e a instauração do reinado absoluto da mentira organizada.

Temos a certeza, por exemplo, de que o crescimento irrefreado do banditismo neste país é direta e conscientemente fomentado pela desinfirmação midiática que, desviando as atenções do público e dos governantes para os aspectos laterais e extrapolíticos do problema, acabam por bloquear toda investigação séria e portanto toda ação decisiva contra a criminalidade.

Estamos denunciando uma situação objetiva, e não indivíduos. Não clamamos por demissões, por punições, trocas de nomes em cargos de confiança. Jamais nos aviltaríamos ao ponto de usar os mesmos métodos dos intrigantes sorrateiros que hoje dominam a mídia brasileira.

Clamamos pela investigação objetiva do estado de coisas e pela sua discussão aberta. A mídia é, de todas as entidades que representam o tecido social, a primeira a clamar por "transparência". É imoral e inadmissível que ela trabalhe, portanto, sob tão denso véu de opacidade, reforçando e ocultando, ao mesmo tempo, os tenebrosos propósitos totalitários daqueles que, ao longo de três décadas de "ocupação de espaços", tomaram todos os postos, usurparam todos os canais de comunicação e hoje vendem como "pluralismo" o seu próprio debate interno, excluídas todas as vozes discordantes. Queremos a democracia autêntica, não um seu simulacro estereotipado.

Apelamos aos empresários da mídia para que não se acumpliciem, por medo ou por interesse, com a destruição da liberdade da qual vivem e prosperam. Apelamos aos profissionais, mesmo de esquerda, que estejam conscientes de que a liberdade de todos vale mais que a vitória de alguns, para que não se acovardem nem se deixem corromper por um corporativismo grudento. Apelamos aos anunciantes, para que pensem duas vezes antes de subsidiar sua própria destruição. Apelamos ao público em geral para que não se deixe mais ludibriar e faça uso de seus instrumentos de protesto, especialmente as "cartas de leitores".

Quando os homens bons se omitem, o reinado dos maus se torna um destino incontornável.

MÍDIA SEM MÁSCARA é um website destinado a publicar as idéias e notícias que são sistematicamente escondidas, desprezadas ou distorcidas em virtude do viés esquerdista da grande mídia brasileira. Embora sem recursos para promover uma fiscalização ampla, MÍDIA SEM MÁSCARA colhe amostras, que por si só, bastam para dar uma idéia da magnitude e gravidade da manipulação esquerdista do noticiário na mídia nacional.

O fenômeno do controle esquerdista já vem durando tanto tempo, são tantos os fatos que foram sonegados do público ao longo de mais de vinte anos, que torna-se tão importante restaurar o passado quanto denunciar o presente. Estamos tão preocupados com os jornais velhos quanto com os jornais do dia. Afinal, a acumulação do que os jornais velhos disseram forma o fundo de crenças que constitui a base de julgamento das notícias do dia. Não adianta corrigir esta ou aquela notícia em particular, se os critérios consolidados por uma longa repetição de mentiras já embotaram a sensibilidade do público.

Mas os exemplos são em quantidade ilimitada. Desde a década de 80 os brasileiros estão privados de informações, por exemplo, sobre tortura e mortes de prisioneiros em Cuba, sobre as contínuas fugas de funcionários importantes do regime cubano, sobre o envolvimento pessoal de Fidel Castro no tráfico de drogas etc. Estão privados de informações sobre os contínuos preparativos da China para uma guerra nuclear, sobre o apoio da Rússia e da China aos movimentos terroristas, sobre as novas e mais temíveis funções da KGB etc. Estão privados de informações até mesmo sobre a direita norte-americana, cujos atos e palavras só nos chegam na sua versão monstruosamente distorcida fabricada pelos Clintons et caterva. Estão privados de informações sobre praticamente tudo o que os historiadores descobriram, ao longo de mais de uma década, em pesquisas nos arquivos de Moscou.

A simples enumeração desses temas ausentes na nossa imprensa já basta para provar: na grande mídia brasileira não existe jornalismo nenhum. Existe apenas manipulação a serviço da esquerda.

Essa manipulação é geral e não está limitada aos militantes ou colaboradores de um partido. A corrente que nos domina hoje é constituída da totalidade da oposição esquerdista dos anos 70, que se diversificou em agremiações distintas para poder mais facilmente dominar o conjunto sem dar uma impressão demasiado flagrante de controle monolítico. Mas o controle monolítico existe. A uniformidade da censura seletiva nos vários jornais e canais de TV é evidente demais para que alguém possa negá-la com honestidade. Mais notável ainda é a unanimidade das reações da imprensa diante de qualquer ameaça comum ao esquerdismo dominante. Como a última campanha eleitoral para presidência demonstrou, as várias facções da esquerda estão separadas apenas por picuinhas, mas cada vez mais unidas no propósito de caluniar, criminalizar e excluir do processo político qualquer coisa que seja ou pareça direitista.

O movimento comunista sempre teve, dentro de suas fileiras, uma divisão entre esquerda e direita. Isso faz parte até do vocabulário historicamente consagrado com que os líderes do Partidão rotulavam as dissidências internas: "desvio pequeno-burguês de esquerda", "revisionismo de direita", etc. A esquerda brasileira se prevalece da total ignorância popular sobre a história do movimento comunista para nos impingir, a título de "direita", a sua própria ala direita, isto é, o tucanato. Tudo o que esteja portanto à direita do tucanato já não é uma direita legítima - é uma facção marginal, criminosa, que deve ser reprimida, calada e excluída da vida pública... em nome do pluralismo e da democracia.

Toda a mídia nacional é instrumento dócil a serviço dessa manobra. O pior é que, ao mesmo tempo, os jornais que a isso se prestam são ainda rotulados de "conservadores" pela própria esquerda, que assim se serve gostosamente de instrumentos "acima de qualquer suspeita".

Em muitos outros países há também um controle esquerdista da mídia. Mas em parte alguma ele é completo e abrangente como no Brasil. Em toda parte há jornais, revistas, estações de rádio e TV, teses acadêmicas e sobretudo livros, muitos livros que denunciam o estado de coisas, lutam para mudá-lo e com freqüência o conseguem. A derrota da CNN, que baixou para menos da metade da audiência da conservadora FoxNews graças às denúncias do jornalista Brent Bozell, é um exemplo de como é possível cortar ao menos alguns braços do Leviatã.

No Brasil, os poucos que tentam enfrentar essa situação são vítimas do ódio, da covardia e da mesquinhez dos expedientes a que homens poderosos têm recorrido para os calar. A má vontade surda e cega - quando não a ironia e a chacota - que os indiferentes e alienados opõem aos seus esforços, são indescritíveis.

O que torna as coisas ainda mais difíceis é que nos últimos anos o estímulo geral à expressão de crenças esquerdistas encorajou todos os analfabetos do país a dar opiniões. Cada um deles, armado do sentimento de certeza que lhe infunde o fato de estar do lado da maioria falante, recorre com a maior sem-cerimônia ao argumentum ad ignorantiam ("isso nunca chegou ao meu conhecimento, portanto isso não existe") e é reforçado nesse vício pela totalidade da mídia que lhe sonega, precisamente, os conhecimentos que ele não deseja ter.

Será preciso mais do que esse hábito generalizado para explicar o descenso abissal das capacidades intelectuais no país, justamente na década em que as verbas de "educação" foram centuplicadas, a indústria livreira progrediu formidavelmente, o ensino universitário cresceu como nunca e já não há mais de dois ou três por cento de crianças fora da escola primária? Não, os brasileiros não estão emburrecendo por falta de livros, jornais ou escolas. Estão emburrecendo porque em vez de educação e informação receberam propaganda esquerdista e se acostumaram a identificá-la com a cultura e a inteligência.

Contra tudo isso, quê podemos fazer? MÍDIA SEM MÁSCARA é composto de colaboradores que trabalham de graça, por generosidade, patriotismo e senso do dever. Os asssuntos abordados em MÍDIA SEM MÁSCARA versam desde política e economia até cultura geral e religião. Aqui você encontrará resenhas de livros, traduções de notícias e artigos inéditos no Brasil, análises econômicas e reproduções de alguns trechos da mídia nacional que passam despercebidos aos olhos do grande público.



O filósofo e professor Olavo de Carvalho é o mais importante pensador brasileiro da atualidade. Olavo conquista o leitor por suas idéias vigorosas, expressas numa eloqüência franca e contundente que alia o rigor lógico e a erudição ao mais temível senso de humor. Nas palavras do poeta Bruno Tolentino, "a capacidade de desenterrar do pensamento antigo novas idéias aptas a lançar luz sobre o presente é a marca do verdadeiro erudito; a capacidade de encarar os problemas do presente com aquela coragem radical apta a trazer à luz os fundamentos últimos do conhecimento é a marca de algo mais que o mero filósofo-padrão de hoje em dia."

Olavo de Carvalho é um iconoclasta de incontornável honestidade intelectual que tomou para si a tarefa ingrata de pôr a nu os falsos prestígios acadêmicos e expôr as falácias do discurso político e intelectual vigente.

A tônica de sua obra é a defesa da interioridade humana contra a tirania da autoridade coletiva, sobretudo quando escorada numa ideologia "científica". Para Olavo de carvalho existe um vínculo indissolúvel entre a objetividade do conhecimento e a autonomia da consciência individual.



e-mail:
lumen@openlink.com.br

"Olá, amigo. O Olavo de Carvalho está respondendo aos sucessivos ataques por parte de alguns órgãos de imprensa, fato que o impossibilita de responder-lhe agora. Você receberá resposta o mais rápido possível." É certo que esse e-mail, enviado atenciosamente ao Gramática On-line como justificativa da eventual demora com que se daria a entrevista, atesta a vida nada consensual do filósofo e jornalista tido por muitos como dos maiores pensadores da atualidade. O nome Olavo de Carvalho é, para alguns, sinônimo de polêmica, talvez porque, diferentemente dos que se sentem apontados em seu livro O Imbecil Coletivo: Atualidades Inculturais Brasileiras, ele se destaque por defender a liberdade da consciência individual contra a tirania da autoridade coletiva. Diferenças ideológicas deixadas de lado, é indiscutível (e interessa-nos mais nesta entrevista) a qualidade da expressão e do conteúdo das idéias desse pensador que mais brasileiros deveriam conhecer.

Olavo Luiz Pimentel de Carvalho, 54, nasceu em Campinas, interior de São Paulo. Estudou Filosofia no Conjunto de Pesquisa Filosófica da PUC do Rio de Janeiro por três anos, sob a direção do Padre Stanislavs Ladusãns. Apesar de não ter podido terminar o curso - fechado após a morte de Ladusãns -, Olavo de Carvalho não quis dar prosseguimento aos seus estudos em outra instituição de ensino superior. "Os outros cursos de Filosofia que eu conhecia neste país não me interessavam, pois eram demasiado ruins", diz o estudioso, que não se considera um autodidata, por ter desfrutado a orientação de muitos mestres, principalmente no campo das religiões comparadas.

Pai de oito filhos e já por quatro vezes avô, o filósofo dedica-se, entre outras atividades, aos seus livros (está sendo publicado o décimo quinto de sua autoria) e artigos veiculados em grandes periódicos brasileiros. Merecem atenção especial do pensador os Seminários de Filosofia que conduz em São Paulo. O curso, que atrai estudantes e profissionais de diversas áreas, é reconhecido como um dos mais sérios e consistentes dos que se conhecem. Encontram-se excertos das apostilas do curso - além de inúmeros textos publicados por e sobre Olavo de Carvalho em vários jornais e revistas - no site www.olavodecarvalho.org, mantido e atualizado desde maio de 98 pelo próprio professor. A página, visitada por cerca de 600 internautas diariamente, já recebeu o título de Site do Mês (OpenLink / abril de 99) e mostra, por si só, por que seu criador gera tanta polêmica no meio intelectualóide e por que a qualidade de seu texto chama tanto à atenção. Sem dúvida alguma, é um dos poucos sites da rede mundial de computadores que induzem a uma reflexão realmente crítica. Uma infinidade de temas é abordada com linguagem simples, bem-humorada, apimentada e abrasileirada, encarrapitada em uma qualidade gramatical de causar inveja a muitos jornalistas e profissionais das letras. A maioria dos textos está disposta integralmente no site, que é gratuito.

Entrevistado pelo Gramática On-line, Olavo de Carvalho falou sobre suas preferências de leitura, sobre filosofia e, principalmente, sobre a Língua Portuguesa e seu estudo.



Gramática On-line - Comecemos falando um pouco sobre a sua área. Na sua opinião, que é a Filosofia? Há diferenças entre concepções antigas e modernas de Filosofia?

-- A Filosofia, segundo a entendo, é a unidade do saber realizada na unidade da consciência e vice-versa. Creio que essa definição absorve e domina praticamente todas as definições antigas e modernas. Aliás, foi obtida da comparação delas.

Gramática On-line - Muitas pessoas têm dúvida quanto à atuação profissional do filósofo. Além de lecionar, que atividades pode exercer o formado em Filosofia?

-- A Filosofia, em si, não é uma atividade profissional (e espero que não se torne isso nunca), mas um tipo de know-how que está subentendido, ou deveria estar, em inumeráveis profissões, especialmente o ensino, a pesquisa científica em todas as áreas, as artes, a política, a medicina.

Gramática On-line - Atualmente, as faculdades em geral formam realmente filósofos? Ou são só professores de Filosofia?

-- Ninguém pode dar o que não tem nem ensinar o que não sabe. Não há um só filósofo no nosso meio acadêmico, e a prova é que esse meio rejeita, por medo e preconceito, todo filósofo autêntico que apareça dentro ou fora dele. Dizer que uma Marilena Chauí, um Leandro Konder sejam filósofos é um ultraje à filosofia. A primeira é uma professora de ginásio, o segundo é um propagandista barato. Mas é só esse tipo de gente que a universidade aceita. Já o Villém Flusser, um gênio espantoso, acabou desistindo do Brasil e foi publicar seus livros na Alemanha, onde imediatamente foi reconhecido como um dos pensadores mais originais das últimas décadas. No Brasil aqueles entojadinhos da USP faziam pouco dele, empinavam o nariz diante dos seus escritos porque eram publicados em jornal – como se Gabriel Marcel ou Ortega y Gasset também não tivessem sido eminentemente jornalistas. Mário Ferreira dos Santos e Vicente Ferreira da Silva também foram postos para escanteio, e até Miguel Reale, reitor da USP, era discriminado dentro da sua própria universidade. Agora, com quarenta anos de atraso, a USP decidiu absorver o prof. Reale, concedendo ao mestre um lugarzinho modesto ao lado de quinze micos na coletânea Conversas com Filósofos Brasileiros, na qual ele é obviamente o único filósofo presente. Ora, esses quatro nomes – Flusser, Reale e os dois Ferreiras – perfazem o essencial da filosofia brasileira deste século – o que vale dizer que a filosofia esteve rigorosamente fora da universidade, por obra de medíocres e invejosos que se empoleiraram como urubus nas chefias de departamentos. O que a universidade brasileira tem feito contra a filosofia é simplesmente criminoso.

Gramática On-line - Nota- se que há muitas faculdades de Filosofia (e Letras) espalhadas pelo país. Essa proliferação de faculdades é boa ou ruim para o ensino qualitativo da Filosofia?

-- É péssima. Quanto mais gente falando do que não entende, mais confusão, mais empulhação, mais verbalismo oco vai circular pelo país. A filosofia universitária no Brasil só vai começar quando o MEC ou instituição similar fizer uma edição padrão dos escritos daqueles quatro grandes pensadores e a distribuir como leitura obrigatória em todas as faculdades. Não pode haver ensino da filosofia senão com base numa filosofia vivente.

Gramática On-line - Pode- se dizer que hoje em dia há grandes pensadores, como Sócrates, Platão, Santo Agostinho, etc.?

-- Eric Voegelin e Xavier Zubiri superam todos os demais pensadores da segunda metade do século XX.

Gramática On-line - Quais são seus autores favoritos (da filosofia e de outras áreas)?

-- Em filosofia, Aristóteles, Leibniz, Sto. Tomás, Schelling, Husserl, Voegelin, Zubiri, Lonergan, Éric Weil, Louis Lavelle. Na literatura, Dante e Shakespeare, Dostoievski e Stendhal, Camões e Camilo, Manzoni e Scott, Pío Baroja, Thomas Mann e Jacob Wassermann, Antonio Machado, Apollinaire, T. S. Eliot e William Butler Yeats. Mas gosto também muito de ler historiadores - meus prediletos são Taine, Huizinga e Oliveira Martins - e obras de psicologia, principalmente as de Viktor Frankl, Lipot Szondi e Maurice Pradines. Nas ciências sociais, Weber e Ludwig von Mises. Em religião, além da Bíblia, do Corão e dos Upanishads, releio sempre a Legenda Dourada de Giacomo di Varezzo, um livro que me parece ter certos dons miraculosos. Sou aficionado de temas islâmicos e retorno sempre aos livros de Ibn Arabi, René Guénon, Henry Corbin, Frithjof Schuon, Titus Burckhardt, Seyyed Hossein Nasr. Adoro as polêmicas de Chesterton, de Bernanos, de Nelson Rodrigues. Gosto também de livros de memórias e depoimentos, sobretudo de políticos, agentes secretos e criminosos que um dia envelhecem e perdem o medo de contar o que sabem; mas também relatos de vidas extraordinárias: meu preferido desde a infância, relido com encanto crescente de tempos em tempos, é Hunter, de John A. Hunter (uma coincidência de nome e profissão): memórias de um caçador de leões e elefantes, certamente o melhor livro de psicologia animal que alguém escreveu antes de Konrad Lorenz.

Gramática On-line - Diante de tantos autores, de tanta leitura, que o senhor diz sobre o jovem? Com o desenvolvimento da Sociedade da Informação, o jovem tem pensado menos ou mais? Está mais fácil ou mais difícil pensar?

-- Os computadores e a internet, em si, são um imenso benefício para todas as atividades intelectuais. O problema é que pessoas incapazes de absorver mesmo doses moderadas de informação se vêem de repente submetidas a um bombardeio informático. No mínimo, isso infunde nelas a ilusão de que estão por dentro de todos os assuntos. Na verdade, para tirar proveito da internet o sujeito precisa ter as habilidades conjuntas de um pesquisador acadêmico, de um jornalista e de um oficial de informações. O número de pessoas que tira real proveito da internet é ínfimo. Que fazer pelas outras? Bem, da minha parte já faço o que está ao meu alcance: procuro desenvolver nos meus alunos aquelas habilidades conjuntas. Mas não creio que os demais educadores estejam conscientes dessa necessidade, porque eles próprios não têm em geral esse tipo de formação.

Gramática On-line - Além de ler, qual é o seu hobby? Uma atividade que lhe proporcione prazer...

Não tenho nenhum hobby em especial. Tudo o que faço me proporciona imenso prazer, sobretudo estudar, escrever, dar aulas, conviver com a minha família maravilhosa e com os meus amigos, comer, amar, rezar, dormir. Se tivesse tempo livre, iria caçar e andar a cavalo, coisas que fiz muito na infância. Música, ouço de vez em quando, mas sempre as mesmas, principalmente Mozart e Wagner. Filmes, já vi todos os que queria ver.

Gramática On-line - Falemos um pouco sobre a Gramática. Quais são os primeiros registros dos estudos lógicos e gramaticais?

-- Os primeiros estudos gramaticais no Ocidente resultaram da tentativa de aplicar à linguagem, considerada materialmente, os conceitos da lógica de Aristóteles. Mas a aplicação foi muito rasa e um logicismo extemporâneo deixou cicatrizes em toda a gramática ocidental. Quem estudou isso a fundo e procurou corrigir essas distorções foi Eugen Rosenstock-Huessy, cujo livro A Origem da Linguagem deve sair em breve pela Biblioteca de Filosofia que dirijo na Editora Record.

Gramática On-line - Ao seu ver, qual é a melhor maneira de desenvolver no cidadão a habilidade de escrita e leitura?

-- Expliquei algo disso no meu artigo "Aprendendo a escrever" (O Globo, 3 fev. 2001). Primeiro o sujeito tem de adquirir, pela leitura de obras de história, de cronologia e de bibliografia, um senso da unidade do campo das letras. Um bom começo é a História da Literatura Ocidental de Otto Maria Carpeaux, ou a série Great Books da Encyclopaedia Britannica. Mas em seguida, ou ao mesmo tempo, tem de ler os clássicos e tentar imitá- los, formando um repertório de meios de expressão. Terceiro, tem de manter esse repertório em contínuo acréscimo e desenvolvimento, pela prática da escrita.

Gramática On-line - Entre as características de Olavo de Carvalho, uma que merece destaque é a habilidade lingüística. O seu texto mostra-se, ao mesmo tempo, fiel às normas do ensino prescritivo do idioma (a chamada norma culta da língua) e acessível a um grande número de leitores. Leitura qualitativa e quantitativa basta para que se alcance essa habilidade? O domínio das estruturas fonética, morfológica e sintática é realmente necessário?

-- Há dois tipos de pessoas: as que aprendem por indução e as que primeiro precisam conhecer a regra geral para depois reconhecê-la na prática. O aprendizado da gramática é necessário a ambas, mas em momentos diferentes. As do primeiro tipo (e eu mesmo estou entre elas) devem acumular uma grande experiência de leitura antes de ter a primeira lição de gramática, porque já terão aquela experiência que lhes permitirá reconhecer do que a gramática está falando. Mas há pessoas que precisam estudar gramática primeiro. O educador é que tem de ter o tirocínio para perceber o que é melhor para o seu aluno.

Gramática On-line - Como o jornalista Olavo de Carvalho vê a situação dos textos impressos dos meios de comunicação. Os cursos de Jornalismo estão levando a sério a abordagem (ou estudo) da linguagem? Qual é a solução?

-- A linguagem da mídia é um compactado de cacoetes funcionais. O sujeito que aprende a escrever com base nela vai tender inevitavelmente a compactá-la ainda mais. Só os grandes escritores têm o gênio, o espírito do idioma. É preciso aprender a escrever com Camilo e Machado, e só depois simplificar o idioma para adaptá-lo às necessidades da mídia. Para fazer comida desidratada é preciso partir da comida autêntica: se o sujeito desidrata o que já vem desidratado, acaba comendo areia.

Gramática On-line - O senhor estudou profundamente a Gramática ou, como explicam alguns jornalistas, apela na maioria das vezes à intuição para escrever adequadamente?

-- Não sei quem foi que disse que cultura é aquilo que sobra quando a gente esquece o que aprendeu. Fiz muitos exercícios de gramática, seguindo especialmente a velha Gramática Metódica de Napoleão Mendes de Almeida, e procurei incorporar o aprendizado de tal modo que a regra aprendida funcionasse automaticamente. Hoje, que escrevo com correção, esqueci metade da nomenclatura gramatical e ela não me faz falta nenhuma. A gramática é um estudo reflexivo que pressupõe de certo modo o conhecimento prático do idioma e não pode substituí- lo. Mas, como eu já disse, as mentes muito dedutivas e analíticas precisam já de um pouco de gramática no começo do aprendizado.

Gramática On-line - Tem-se falado muito sobre a influência da língua na sociedade e vice-versa. A difusão intolerante da Gramática tradicional dá origem, segundo alguns sociolingüistas, ao preconceito lingüístico, sentimento por meio do qual se mantém o desrespeito às variantes lingüísticas divergentes da norma culta, da variante de prestígio. O senhor acha que o ensino rigoroso da Gramática, como era antigamente, pode contribuir para a manutenção desse preconceito? A norma culta é, como dizem, mais uma das imposições de uma minoria que visa a manter as classes sociais distantes umas das outras?

-- Esses sociólogos são simplesmente charlatães que querem tirar proveito político de uma observação falseada da realidade. Não estamos na Inglaterra, onde o falar correto ou incorreto basta para identificar imediatamente a classe social a que o sujeito pertence. Aqui, as classes altas falam e escrevem tão errado quanto o povão, e só quem se interessa pela norma culta são escritores e gramáticos pobretões e marginalizados. Por outro lado, exigir que o aluno, em vez de aprender a norma culta geral, se apegue eternamente aos modos de falar do seu bairro ou da sua classe social, isto sim é discriminá-lo, barrando-lhe o acesso a uma norma que existe justamente para ser o terreno comum da comunicação democrática. Os inimigos da norma são obscurantistas que querem prender cada pessoa no gueto lingüístico e social da sua infância, bloquear a comunicação social e inviabilizar a democracia. Os que inventaram essa ideologia sabem perfeitamente que o propósito dela é criminoso. Os que a repetem como papagaios do alto de suas cátedras são apenas tolos desprezíveis.

Gramática On-line - Na sua opinião, é mais eficaz combater o preconceito lingüístico ou difundir de maneira mais figurativa os conhecimentos do idioma?

-- O único preconceito lingüístico que existe no Brasil é contra a linguagem correta. Ninguém é criticado neste país porque fala errado, mas, se usa uma única palavra que a platéia desconheça, é rotulado imediatamente de pedante, e assim todos contribuem para o empobrecimento do idioma. Há na sociedade brasileira uma espécie de populismo atávico, regressivo, mórbido e masoquista. Temos de acabar com ele, e qualquer ensino da gramática é útil para esse fim.

Gramática On-line - Certa vez, quando o Gramática On-line julgou que houvesse uma falha de digitação no seu site (a palavra muçulmano foi escrita com dois ss), o senhor disse que escreveu intencionalmente a forma que transgride a registrada. Referiu-se, ainda, a um sistema fonético independente, de sua autoria. O senhor poderia explicar em que consistem essas ações dissidentes?

-- Foi apenas um truque que inventei para facilitar o aprendizado do árabe clássico. O sistema internacional de transliteração é complicado e incoerente. Em árabe a escrita pode ser abreviada mediante a omissão das vogais, como numa taquigrafia. Na transliteração internacional você nunca sabe se as letras são vogais ou consoantes. Inventei então uma transliteração na qual as consoantes eram grafadas em maiúsculas e as vogais em minúsculas. Só que para isso era preciso que cada letra árabe correspondesse a uma e uma só letra portuguesa. Naturalmente, isso acabava por afetar os próprios termos árabes aportuguesados, como por exemplo "mussulmano", que é uma adaptação de musslim. Na minha transliteração, musslim se escreve MuSSLiM, indicando que, na escrita corrente - por exemplo, num jornal árabe -, se escreveria apenas MSSLM. A utilidade disso é extraordinária para o aluno estrangeiro, porque, para o árabe, a consoante, conforme o contexto, já sugere imediatamente a vogal que a acompanha, e para nós não, o que é um problema, já que as declinações (nominativo, genitivo e acusativo) são indicadas precisamente pelas vogais. Há um belo livro de introdução ao árabe, Arabic Made Easy, de Abdul Hashim, que estou adaptando para o português com a minha transliteração. Mas ainda vai demorar para ficar pronto, porque tenho pouco tempo para trabalhar nisso.

''Será que não está mais do que na hora de dar um fim físico a esse câncer chamado Olavo de Carvalho?

Não sei se os leitores sabem, mas esse canalha mantém um "curso de filosofia" mensalmente, cobrando 100 reais por aula de cada aluno. E esse curso é ministrado sempre no mesmo local.

Por que não convocar uma manifestação em frente ao local desse curso e, se possível, eliminar fisicamente esse fascista, racista, canalha e miserável?''

O site que com exemplar cinismo se denomina “Centro de Mídia Independente” perdeu os últimos escrúpulos e partiu para a criminalidade pura e simples.

O CMI é uma ONG milionária, com escritórios em mais de uma centena de países, empenhada em fazer propaganda contra os EUA e Israel, exatamente na linha de milhares de sites nazistas e comunistas, e que ainda tem o desplante de chamar de “fascista” quem tome posição contrária à sua.

Desesperada de não poder responder às denúncias que apresento nos meus artigos e no Mídia Sem Máscara, sobretudo no concernente à aliança dos pretensos “pacifistas” com os movimentos neonazistas, está apelando ao método da “ação direta”, o mesmo propugnado por Mussolini, para cortar o mal pela raiz, eliminando-me fisicamente.

Não me sinto de maneira alguma inclinado a confiar minha segurança às autoridades esquerdistas que nos governam, as quais já demonstraram estar mais interessadas em proteger as Farc contra os Estados Unidos do que o povo brasileiro contra as Farc e outras organizações criminosas associadas a seus partidos no Foro de São Paulo, coordenação estratégica do movimento comunista no continente.

Não tenho portanto garantias mínimas nem para minha vida nem para meu trabalho, estou fora dos direitos constitucionais e excluído da tal “cidadania”.

A mim pouco me importa o que me aconteça. Morrer não é doença nem motivo de vergonha. Vergonha é viver num país em que só os assassinos têm proteção das autoridades. Vergonha é ser membro de uma classe profissional em que a pregação do homicídio ostenta o rótulo de “luta contra a intolerância”.

Tenho vergonha de pertencer a um povo que elege presidente um amigo das Farc, tenho vergonha de ser colega de profissão dos canalhas do CMI.

Se vergonha matasse, eles não precisariam nem dos coquetéis molotov que querem jogar em mim: eu já estaria morto só de ler o que escrevem.

Olavo de Carvalho

http://www.midiasemmascara.org